
O 21 de março é o Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial, instituído em memória ao Massacre de Sharpeville, ocorrido em 1960, na África do Sul, onde manifestantes foram mortos durante um protesto contra o apartheid. Esta data reforça a luta por igualdade e contra a discriminação racial, um desafio presente também no Brasil.
No país, a população negra enfrenta desigualdades no acesso ao crédito e no mercado de trabalho, com consequências significativas para a sua independência financeira. A inclusão financeira surge como uma das formas de combater essa discriminação, oferecendo oportunidades para superação de barreiras econômicas históricas.
A desigualdade no acesso ao crédito e mercado de trabalho
A discriminação racial é evidente no acesso ao crédito. Um estudo da Revista Direito GV revela que pessoas negras enfrentam discriminação direta e indireta nas decisões de concessão de crédito, o que limita suas possibilidades de gerar riqueza. No mercado de trabalho, os negros também enfrentam desigualdades: segundo dados do Dieese de 2023, a taxa de desocupação entre negros é significativamente maior que entre os não negros e eles ganham em média 39,2% a menos.
Essas disparidades são um reflexo de um racismo estrutural que impede a população negra de alcançar uma estabilidade financeira adequada.
A desigualdade racial na previdência social e nos fundos de pensão
A pesquisa de Jéssika Larissa Sousa Lima e Maria Lúcia Lopes da Silva, no artigo Racismo, trabalho e Previdência Social no Brasil, aponta que o racismo impede o acesso da população negra ao mercado de trabalho formal e à previdência social. Isso ocorre devido à maior taxa de desocupação e à prevalência de vínculos de trabalho informal entre negros, dificultando o acesso a direitos como aposentadoria e benefícios em caso de doença ou acidente.
Além disso, a falta de recorte racial nos dados sobre previdência complementar indica que as desigualdades também se refletem nesse setor. A escassez de negros em cargos de liderança e tomada de decisão nos fundos de pensão confirma que as barreiras continuam impactando a segurança financeira e as condições de aposentadoria dessa população.
Como a inclusão financeira pode combater a discriminação racial
A inclusão financeira é essencial para reduzir as desigualdades raciais, permitindo que a população negra tenha acesso a crédito, educação financeira e apoio ao empreendedorismo. A educação financeira proporciona autonomia, enquanto o acesso ao crédito justo possibilita a geração de riqueza e o empreendedorismo. Além disso, o investimento em negócios liderados por negros pode impulsionar a economia local e promover mudanças estruturais.
A equidade racial só será alcançada quando todas as pessoas, independentemente de sua cor, tiverem acesso às mesmas oportunidades econômicas e sociais. A inclusão financeira é uma ferramenta crucial para alcançar essa equidade, ajudando a superar o racismo que limita as possibilidades de crescimento para a população negra.
Neste Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial, é importante refletir sobre como a inclusão financeira pode abrir portas para uma sociedade mais justa e igualitária, promovendo a equidade racial para todos.
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16 respostas em "Inclusão financeira como caminho para a equidade racial: Dia Internacional de combate à discriminação racial"
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excelente materia
Ok
Muito bom
A inclusão financeira é o topo da pirâmide, temos que iniciar da base, educação com a mesma qualidade para negros e brancos, ensino profissionalizante para negros e brancos , oportunidades profissionais para negros e brancos. Agora, se você tem um base estruturalmente discriminatória, como , no topo você terá equidade ? Serão sempre os mesmos a comandar e os mesmos a serem comandados, infelizmente.
Bom
Muito bom
tr ist e
Assunto muito relevante
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Ótimo conteúdo
Muito bom
mesmo otimo
Muito bom
Inclusão e educação financeira
Muito bom
Muito bom.